Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Arquivo de 29 de agosto de 2007, às 0:01h

O pão dos vivos

Quadro: Mauro Andriole

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Aguapé - Fagner e Belchior (Belchior)

Dimas Lins

As alpercatas gastas pelo uso deixam um rastro de poeira na estrada batida de terra. Sobre elas, um homem de pele cabocla, mãos engelhadas e olhos cansados atravessa o sertão. Entre ele e o céu, um velho chapéu de couro, última proteção contra um sol difícil de ser suportado. Em seus ombros, uma maleta de pano amarrada na ponta de uma enxada. Ao seu lado, mulher e filhos acompanham seus passos. Ficaram para trás a casa abandonada e o pequeno pedaço de terra, que agora oculta o corpo da filha morta.

Em se plantando, nada dá. A mesma enxada que até poucos dias inutilmente revolvera o solo seco tentando fecundar a terra estéril, cavara a sepultura da caçula, embaixo de uma velha catingueira. Por entre os seus galhos secos, ao invés de uma réstia, desce um sol imenso, um inferno na terra. Deixai toda esperança, vós que entrais!

Do pó viemos e ao pó retornamos. No funeral da pequena lavradora, velas, cânticos e preces clamavam pela misericórdia divina. A submissão à vontade do destino é capaz de asfixiar a esperança. Homens e mulheres pouco providos do necessário entregam sua vida nas mãos de Deus.

A vida não é mãe, é madrasta. O corpo inerte de hoje já correra pela casa, por entre os cômodos precários de mobília, e brincava de boneca. O alimento invisível do brinquedo era também o seu. Alimentava-se de luz e esperança, enquanto morria de fome.

Anos atrás, veio à luz apressada e agora se foi com a mesma impaciência. Saiu do ventre para um mundo cão e para a morte certa, prematura, injustificada. Nasceu para gritar por socorro e não ser ouvida. Como ela, tantos outros vieram e ainda virão.

De volta à estrada, segue a busca por um canto novo, um açude, um lago represado de esperança - o pão dos vivos. Enquanto isso, caminham lado a lado, a morte, a saudade e a dor.


      
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Canção da despedida

 

Canção da América

Dimas Lins

Conheci Arnaldo em 1992, quando passei no concurso para o cargo de Técnico do Tesouro Nacional. Esta transição foi um marco na minha vida, pois deixei a iniciativa privada, onde tentava crescer na carreira de auditor, e passei a exercer atividades no serviço público. Troquei o capitalismo selvagem, com suas horas extras intermináveis e não remuneradas, por um salário mais justo a curto prazo. Quem está na parte de baixo da pirâmide social tem necessidades imediatas e esse era o meu caso. Deixei as portas abertas, mas atravessei-as para nunca mais voltar.

Mas falava de Arnaldo. Foi no curso de formação, etapa ainda eliminatória do concurso, que o conheci. Ele morava em Olinda e fugia aos padrões do olindense típico. Odiava multidão e, por conseqüência, carnaval. Nada de Elefante, Pitombeiras, Ceroulas ou Vassourinhas. Do seu ponto de vista, mais de cinco pessoas já era multidão. Também não gostava de futebol. Para um pernambucano, isso é tão improvável quanto um passista não gostar de frevo. E embora não gostasse de cerveja à época, apreciava uma boa cachaça. O homem, que fique claro, não era caneiro profissional, apenas apreciador moderado.

Sua voz rouca e seu temperamento forte passam sempre a impressão de um sujeito bruto, embora no fundo seja sentimental. As aparências sempre enganam. Arnaldo é inteligente, mas irrequieto. Capaz de fazer cálculos centesimais de cabeça, iniciou cinco cursos universitários e, até onde eu saiba, nunca terminou nenhum. Paciência não é o seu forte. Hábil jogador de sinuca, herança do pai, às vezes jogava contra mim usando apenas uma das mãos. E como destro, usava a esquerda, só para humilhar. Ainda assim, nunca ganhei uma partida sequer. Arnaldo nunca deixou. Não pensem que ele era um competidor compulsivo. Nada disso. Apenas não sabia fingir. Sinceridade até jogando sinuca.

Juntos, atravessamos nossa primeira greve e também nosso primeiro dilema. Ainda estávamos no estágio probatório na Receita Federal e havia o risco real da exoneração de ofício. Em linguagem menos tecnocrata, poderíamos ser postos no olho da rua, a qualquer momento, pois a lei não estava do nosso lado. Éramos jovens demais e agíamos de maneira irrefletida. A bem da verdade, ele relutou em entrar em greve, pois tinha medo de perder o emprego. Eu acabei dando uma forcinha.

Convenci Arnaldo a, não apenas aderir, mas a fazer parte do comando de greve. O cabra frouxo, com o tempo, tornara-se sindicalista, comunista e presidente do primeiro diretório do PC do B em Limoeiro. Foi só um empurrãozinho e lá foi ele ladeira abaixo. “Criei um monstro!”. Infelizmente, o deslocamento do PT da esquerda para o centro jogou fora a sua crença no governo do povo, para o povo e pelo povo. Ele não só largou tudo, como fez questão de não acompanhar mais nada sobre política. Pois é, Arnaldo é assim. Se não há paixão naquilo que se faz, não há razão para fazê-lo.

O tempo passou e nossa amizade se fortaleceu. Foi nesta época que ele conheceu sua prima Suzana e começaram a namorar. E aí vem uma história curiosa.

Tempos atrás, Arnaldo havia feito alguns exames que revelaram sua dificuldade em ter filhos. Não era estéril, é certo, mas a fertilidade só chegaria com um tratamento clínico. Ocorre que, neste meio tempo, Suzana engravidou e, com a gravidez, veio o medo da desconfiança do namorado. Como dizer a um homem clinicamente “estéril” que ele seria pai do seu filho? O tempo passava, a barriga crescia e Suzana não reunia a coragem necessária para ter com o namorado. Até que, aos cinco meses de gravidez, Arnaldo, com o seu senso aguçado de observação e a sensibilidade de um tiranossauro rex, sugeriu discretamente à namorada moderação no apetite. Foi assim, dessa forma arnaldiana, que revelou-se enfim a gravidez.

Hoje, eles estão casados e têm dois filhos, Caio, o primogênito de quem sou padrinho, e Tales. Ah! Arnaldo nunca fez o tratamento de fertilidade. E antes que interpretem mal nossa querida Suzana, basta olhar para os filhos e perceber que são a cara do pai. Há que um dia se entender melhor a medicina e o corpo humano.

Com a nova família, veio o desejo de morar no interior. Queria dar aos filhos a oportunidade de crescer no campo. Pediu transferência para Limoeiro e lá comprou um pequeno sítio. Na ocasião, eu já não trabalhava mais na Receita Federal. Mesmo assim, a amizade se intensificou. De amigos, passamos a compadres e irmãos, embora distantes. A vida tem essas coisas de trazer grandes pessoas para perto da gente e depois levá-las embora.

Passei, junto com a minha esposa, a visitá-los ocasionalmente, embora nos falássemos com alguma freqüência ao telefone. No ano passado, Arnaldo me comunicou solenemente que havia recebido uma proposta para chefiar uma agência da Receita no interior de Minas. Trocaria o calor nordestino pelo frio do sudeste. A surpresa da notícia me fez perceber que há sempre muitas maneiras de ir-se embora mais de uma vez.

Arnaldo levou-se para Minas no final do ano passado e, na oportunidade, produzi este vídeo para registrar a despedida. Confesso que foi difícil fazê-lo, pois, por entre as imagens, é possível perceber uma saudade antecipada e indisfarçável. É que, para mim, este é mais que um vídeo. É o registro de uma amizade sincera, cunhada ao longo do tempo.

Hoje, os contatos têm-se rareado, mesmo nos dias atuais, de internet e dos skypes da vida. Mas a amizade prossegue assim mesmo, silenciosa.

De Recife, te mando um abraço! Fica em paz, meu velho! Segue tua vida daí, que eu sigo a minha daqui. E se bater saudade, ouve a canção e lembra que qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar.

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Todos os homens são iguais

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Foi Assim - Maria Bethânia (Lupicinio Rodrigues)

Dimas Lins

Emília vivia o fim do seu primeiro casamento. À época, já era mãe de dois filhos quando sua vida conjugal perdeu o vigor. O homem intenso e apaixonado com quem convivera durante quase dez anos deu lugar a um desconhecido que ultimamente apenas dormia e roncava em sua cama. Os mesmos corpos que em outros tempos copulavam com tanto viço, agora faziam uso do móvel de dormir apenas para o repouso.

A mudança aconteceu - como sempre acontece - aos poucos. Começou sutil e terminou avassaladora. Foram-se escasseando as carícias e as frases sacanas embaixo dos lençóis. Os apelidos carinhosos já não soavam bem, nem mesmo entre quatro paredes. No sentido inverso, cresceram as brigas, os insultos e as trocas de acusações. Quando o amor abre a guarda, a indiferença ocupa o espaço vazio.

Da parte dele, começaram as escapadas. Com o tempo, elas deixaram de ser uma aqui e outra acolá e passaram a acontecer com constância. Elevaram-se ao ponto de não existir mais a preocupação em apagar os rastros incriminadores e as provas irrefutáveis da infidelidade conjugal. Foi assim, na desarmonia das horas que a fizera retornar mais cedo para casa, que Emília viu, com seus próprios olhos, o que no íntimo ela já sabia há tempos. A lubricidade dele, estava claro, não acabara, apenas o interesse se transferira para outros corpos. Ele não manifestou nenhum sinal de arrependimento, nem enunciou qualquer pedido de clemência. De sua boca não saiu nenhuma palavra. Apenas um olhar direto que parecia dizer “finalmente!”. Nada mais.

Foram-se os sonhos, ficaram as dores. Mas foi nesta época de separação, desesperança e solidão que seu segundo marido apareceu em sua vida. A relutância natural de um novo envolvimento afetivo fora paulatinamente cedendo espaço à sorte de um amor tranqüilo. Em vez da paixão arrebatadora, quase animal, que lhe tirava o discernimento, a serenidade da afeição e da ternura dos amantes.

Emília, enfim, começava um novo ciclo. Um ciclo do romance à moda antiga, das poesias e das flores, da dama e do cavalheiro, do charme e do fino trato, da admiração, do companheirismo e do respeito mútuo. Um ciclo de um amor retilínio, sem sobressaltos. Adeus às angústias e às madrugadas intermináveis na solidão do quarto de dormir. Em casa, um novo marido, um novo amor, um novo pai para seus filhos, um novo lar.

Mas todos os homens são iguais. E o tempo - ah, o tempo! - sempre se volta contra o amor e os amantes. Não há corações perfeitos, nem amores sempre amáveis. O amor não tolera distração, nem perdoa a traição.

A infidelidade do segundo marido não era igual a do primeiro. A um faltava a retidão, ao outro, não. Um era infiel por opção, o outro, por distração, por desatenção, por descuido. Cometera o deslize de deixar-se levar. Deixou-se seduzir pelo desconhecido, pelo novo. Não tomou a iniciativa. Foi tomado por ela. Para o traído, tanto faz se o parceiro é ativo ou passivo na ação. O que vale é o significado do verbo, é demonstrar infidelidade a. Foi uma vez, uma única vez, uma mísera vez. Mas foi fatal. Ela notara, percebera, testemunhara. Ele exalou sinais de arrependimento, implorou clemência, enunciou mil palavras de pesar. Todas em vão. O remorso não desfaz a traição, no máximo, atenua. Dois pesos, a mesma medida. Quando o coração é tomado pela mágoa e pelo rancor, mais que depressa a mão cega executa, pois que senão o coração perdoa.

Agora Emília está só. Não há ninguém em sua vida. Em seu coração, o desengano feriu de morte a esperança. “Todos os homens são iguais!”. Não há mais espaço para uma nova paixão, um novo alumbramento, um novo amor. A estrada sempre a leva ao mesmo lugar. Quem aparece em seu caminho tem os defeitos iguais.

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Cordão da saideira

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No Cordão da Saideira (Edu Lobo) 

Dimas Lins


“República soberana de São José, íntima do Capibaribe e do mar-oceano, verticalizada nas torres de suas igrejas que refletem o céu dos tempos.”

 Amílcar Dória Matos


Foi a necessidade que me levou de volta ao velho bairro onde morei. Em tempos de inverno, procurava uma capa de chuva nas lojas populares. As mesmas lojas que antigamente me empurraram para fora de lá, agora me traziam de volta, por uma razão tão banal. Já havia retornado ao bairro em muitas outras oportunidades, mas em nenhuma delas me demorei além do necessário. Seria a primeira vez.

(Na minha infância, o bairro de São José era um dos últimos redutos residenciais encravados no centro de Recife. Com o tempo, o comércio varejista foi ocupando as casas e pequenos prédios do local, deixando o dia agitado e as noites desertas. O bairro foi se transformando até tornar-se inseguro, pois junto com o comércio vieram os assassinos, bandidos e ladrões. Foi desse jeito que se anunciou a hora de partir.)

Deixei o carro nas proximidades da antiga Estação Rodoviária de Santa Rita e caminhei em direção à Rua das Calçadas. À minha esquerda, o Forte das Cinco Pontas, última construção holandesa em Recife, ainda me deslumbrava. A fortaleza, monumento representativo da arquitetura colonial, foi construída em 1630 para proteger dos ataques de navios inimigos as cacimbas de água potável, ponto vital para o abastecimento da cidade naquela época. O local, durante a minha infância, foi desativado pelo exército e serviu de palco para as nossas brincadeiras de criança. O mesmo Forte que servira à repressão da ditadura militar, para onde foi levado o líder comunista Gregório Bezerra, depois de ser arrastado pelas ruas de Recife, em 02 de abril de 1964, também fora responsável por grande parte dos momentos felizes que vivi no bairro. As tragédias e as alegrias às vezes pegam o mesmo atalho.

Apesar de vasto, considerava o bairro, na minha meninice, apenas o perímetro que ia do Mercado de São José à Praça Sérgio Loreto. Para mim, a Casa da Cultura e a Estação Central estariam, por assim dizer, entrincheiradas em território estrangeiro. É que os meus pés pequenos não ousavam se distanciar tanto assim da Rua Padre Floriano, onde residi a maior parte do tempo.

Entrei no bairro pelas ruas das Calçadas e reconheci a pavimentação de pedra, assim como percebi que ainda estavam lá os trilhos onde circulavam os antigos bondinhos em tempos mais remotos. Despejei-me numa loja aqui e acolá, mas não encontrei o que procurava. À altura da Igreja da Penha, dobrei à direita no Beco do Veado e notei que ainda compunha a paisagem a pequena escultura do cervídeo pendurada em uma de suas esquinas, como há trinta anos atrás. Mas foi no reencontro com a Padre Floriano que fiz a passagem no tempo.

Lembrei-me de Seu Cláudio, um homem gordo que, em tom de galhofa, ameaçava engolir a bola de futebol, toda vez que ela batia com força contra a sua porta. Recordei da família grega que morava ao lado de nossa casa e da caçula em quem dei o primeiro beijo. Lembrei de Rutênio e Fernando, dois irmãos, duas crianças, que brigaram por uma bobagem qualquer e, trinta anos depois, ainda não se falam. De Luiz Morto que ganhara este apelido por ter escrito uma carta ao seu tio, assinando-a como o “finado Luiz”, adjetivo bonito, mas de desconhecido significado. Das encenações da Paixão de Cristo na Basílica da Penha que, contrariando as irmãs, sempre terminavam em traquinagem. De agir sorrateiramente como penetra de casamentos pelas igrejas do bairro, para poder comer os doces e salgados. Do cine Ideal, na Vital de Negreiros, onde assisti a Tarzan, meu primeiro filme no cinema. Da Noite dos Tambores Silenciosos e de Vassourinhas, Batutas de São José, Pão Duro, Pás Douradas e tantos outros clubes e troças que desfilavam pelas ruas estreitas do bairro, nos gloriosos carnavais, em meio a uma gente alegre e festeira. Do Galo da Madrugada fundado a duas casas da minha. Das brincadeiras de bola de gude no Pirulito, uma praça de dimensões diminutas com um pequeno obelisco ao centro e cercada por palmeiras-barrigudas.

Hoje não tem dança, nem frevo, na praça ninguém pra cantar. Foi-se o tempo do picolé na casa de Josias, das brincadeiras de polícia e ladrão nas quatro pontas do Forte das Cinco Pontas, da guerra entre ruas travada pela molecada, do futebol no asfalto, da sisudez do Sargento Bombinha, das mentiras de Jorge Mentirinha e tantas outras coisas que marcaram a minha infância.

Ao recordar cada casa e cada amigo, senti saudade. Sentado à Praça do Pirulito, enfim, percebi que a decadência do bairro trazida pelo comércio varejista, embora tenha mudado a paisagem, não apagou nossas pegadas.

No cordão da saideira, deixei o bairro sem a capa de chuva, mas levei comigo as lembranças de uma gente que deixou suas marcas nos anos mais incríveis da minha vida.

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Cantiga do Estradar

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Cantiga do Estradar (Elomar)

Dimas Lins

Peço licença aos senhores, donos da casa, para me apresentar. Nascido e criado em Recife, sempre me senti, desde criança, atraído por pequenas histórias do cotidiano. Eram pequenos acontecimentos com familiares, amigos, vizinhos, colegas de escola, professores e mesmo comigo. Ouvia cada narrativa ou vivia cada acontecimento como se estivesse em um filme, onde nós, reles mortais, éramos os legítimos protagonistas. Aos meus olhos infantis, estas narrativas tornaram-se fábulas que me instigaram a imaginação.

O tempo passou e como não houve outro jeito, eu cresci. Entretanto, o fascínio por histórias comuns e banais perdurou e passei a vislumbrar, ainda que com uma compreensão incipiente das coisas, o seu valor. A riqueza destes pequenos contos traduz as alegrias, tristezas, rancores, encatamentos e toda sorte de sabores que experimentamos, deixamos de experimentar ou experimentaremos ao longo das nossas vidas.

Gosto das coisas simples e admiro quem consegue enxergá-las e, mais ainda, transmiti-las com igual simplicidade. Não raro, costumo me isolar em meu próprio universo ao me deparar com as essas pequenas coisas da vida, o que considero a forma mais pura da beleza. Por isso, decidi juntar as palavras de tantas pessoas que enriqueceram minha vida, às minhas próprias, tão frágeis de qualidade literária, para criar o Estradar.

O Estradar é um espaço criado para contar um pouco dessas pequenas histórias. Por aqui passarão pequenos contos do nosso cotidiano, uns reais, outros nem tanto, que serão acompanhados de belas canções, na medida do possível. Será, enfim, uma estrada por onde passarão músicas e crônicas de uma gente brasileira.

O nome do blog vem da música Cantigas do Estradar, do cantor e compositor baiano Elomar, conhecido por sua linguagem dialetal sertaneja. A cantiga retrata as andanças de um sertanejo e suas duras passagens pelo sertão. Embora o blog não tenha compromisso com a forma ou com temas específicos, ocorreu-me que a palavra estradar representaria com simplicidade os caminhos que nos levarão a essas pequenas histórias.

Abrimos a porta da nossa casa. À nossa frente, apenas a estrada. Sigamos.

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