Cantiga do Estradar

Cantiga do Estradar (Elomar)
Dimas Lins
Peço licença aos senhores, donos da casa, para me apresentar. Nascido e criado em Recife, sempre me senti, desde criança, atraído por pequenas histórias do cotidiano. Eram pequenos acontecimentos com familiares, amigos, vizinhos, colegas de escola, professores e mesmo comigo. Ouvia cada narrativa ou vivia cada acontecimento como se estivesse em um filme, onde nós, reles mortais, éramos os legítimos protagonistas. Aos meus olhos infantis, estas narrativas tornaram-se fábulas que me instigaram a imaginação.
O tempo passou e como não houve outro jeito, eu cresci. Entretanto, o fascínio por histórias comuns e banais perdurou e passei a vislumbrar, ainda que com uma compreensão incipiente das coisas, o seu valor. A riqueza destes pequenos contos traduz as alegrias, tristezas, rancores, encatamentos e toda sorte de sabores que experimentamos, deixamos de experimentar ou experimentaremos ao longo das nossas vidas.
Gosto das coisas simples e admiro quem consegue enxergá-las e, mais ainda, transmiti-las com igual simplicidade. Não raro, costumo me isolar em meu próprio universo ao me deparar com as essas pequenas coisas da vida, o que considero a forma mais pura da beleza. Por isso, decidi juntar as palavras de tantas pessoas que enriqueceram minha vida, às minhas próprias, tão frágeis de qualidade literária, para criar o Estradar.
O Estradar é um espaço criado para contar um pouco dessas pequenas histórias. Por aqui passarão pequenos contos do nosso cotidiano, uns reais, outros nem tanto, que serão acompanhados de belas canções, na medida do possível. Será, enfim, uma estrada por onde passarão músicas e crônicas de uma gente brasileira.
O nome do blog vem da música Cantigas do Estradar, do cantor e compositor baiano Elomar, conhecido por sua linguagem dialetal sertaneja. A cantiga retrata as andanças de um sertanejo e suas duras passagens pelo sertão. Embora o blog não tenha compromisso com a forma ou com temas específicos, ocorreu-me que a palavra estradar representaria com simplicidade os caminhos que nos levarão a essas pequenas histórias.
Abrimos a porta da nossa casa. À nossa frente, apenas a estrada. Sigamos.
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