Meu corpo e eu
- on 21 de novembro de 2007, às 20:07h
- Meus caros amigos

Qualquer canção (Chico Buarque)
Alice Matias
Se o meu corpo falasse
Ele diria que é um só
Mesmo em partes dividido
Mesmo de fato partido:
Um cortejo de pernas e braços,
Mas um só.
E se o meu corpo calasse
A cada desejo contido
Por medo do teu abraço
Não ser um abraço de amigo…
Ah! Meu corpo, coitado,
Com braços e pernas cerrados,
Andando à margem da vida,
Andando coberto de pó.
Mas se meu corpo pensasse
Diante de tanto carinho
Vestido de razão nata
Despido de qualquer um dos sentidos,
Como o meu corpo veria
Ou sentiria o teu corpo
Que já me escapa, de direito,
Deixando o meu corpo perdido?
Ah! Se meu corpo encontrasse
O peso real das medidas
Mas que felicidade
Seria viver destemida.
O medo, a ânsia e o jogo
Iriam embora para sempre
E eu sentiria o meu corpo
Como o meu corpo me sente.


Dimas,
Essa Alice é mesmo do mundo das maravilhas!
Que poema lindo! Me deu um susto de espanto…
nem sei o que falar.
“E eu sentiria o meu corpo
Como o meu corpo me sente” - Era para ser sempre assim, né?
Parabéns, Alice. Há muita delicadeza no seu pensar. Parece música. Até já imagino o poema musicado na voz de Carol Saboya.
Sério mesmo.
Alice … Que poema maravilhoso … E logo o corpo que nos serve de vestimenta para nossa ALMA !!!!
Abraços !!!!
Lindo!! Caramba, que belo poema! Parabéns, e só!
ps: Dimas, a senhorita Alice tem algum blog? Se não, deves instá-la a tê-lo.
O poema de ALICE MATIAS, Meu Corpo e Eu, atinge
seu ponto maior quando ela diz: “um cortejo de
pernas e braços”.
Muito Bonito.
Abraço, Libarx
Puxa “Alice” me arrepiei toda, que sensibilidade. Adorei!
De quem é esta pintura? Achei linda….