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Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Lamento de quatro povos

Pintura: Marília Cruz
indio_txucarrames-marilia-cruz.jpg

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Cara de Índio (Djavan)

Maria Mattoso

- I -

Os Karajás

Terra mansa, feminina
Vestida de rios e
De verde adornada.
Na selva, a indiazinha
Colhe baunilha.
Flores selvagens brincam
Na noite dos seus cabelos.
Pintado de negro o guerreiro
Espera a guerra.
Virgens desnudas
Guardam segredos
Da morte e da vida.

Naus cruzam os mares
Trazendo em seu bojo
Homens sem cor.
Surgem na selva
Portando trovões.
Espadas sangrentas
Bailam no ar.

- II -

Os Sioux

Campos nevados,
Tendas ao vento,
Águias bravias
Cortando amplidão.
Colares de guerras,
Homens valentes
Enfrentam inimigos,
Mulheres pejadas
Esperam a paz.
Ciclos lunares
(Prenúncios do mal).

Demônios de neve
Cabelos de sol.
Rifles sedentos
esperam riquezas.
Bisões imolados
Num campo deserto.
Carniça, doenças,
Miséria, extinção.

- III -

Os Astecas

Brilha, rebrilha
Brinquedos de ouro,
Telhados dourados,
Penas rubras
(Deuses alados).
Virgens solares
(fogo sagrado)
Punhais sangrentos
(chuva, fartura).

Velas ao vento
(Estranhas barcaças).
Filhos de deuses
(Morte - cobriça).
Metal amarelo:
Rios de sangue
(Guerras, escravos).

- IV -

Os Negros

Colares de dentes,
Peles luzentes,
Facas, maracás.
Deusas dos rios,
Senhora dos Ventos,
Dono das Matas,
Rainha do Mar.
Fogueiras, batuques.
Tempo de guerra
(Tempo de amar).

Presentes estranhos
(Espelhos, miçangas).
Facas luzentes
Rebrilham no ar.
Porão oscilante,
Infecto, imundo.
Lamentos, revolta
(Saudades ardentes)
Corpos ao mar.

9 Comentários para “Lamento de quatro povos”

  1. Gravatar

    … Tivemos oportunidade de vermos os Índios nas Olimpíadas dos Povos Indíginas em Olinda … Alí se via uma vida simples, alegre e perseverante !!! Será que é tão difícil VIVERMOS EM HARMONIA ??? O “Homem Branco” entende o significado da palavra SIMPLICIDADE, AMOR ????

    Parabéns “Maria Mattoso”

    Abraço caro “Dimas” … Vou te mandar uma poesia que fiz a um tempo atrás na época em que eu “tocava em uma banda de rock” !!!!

  2. Gravatar

    Mattoso,

    As poesias inspiradas e bem “versejadas” levaram-me particularmente ao Maranhão, onde convivi com os índios Urubus e a natureza da Amazônia.
    Muito feliz e bonita a forma como celebraste os índios e os negros. Mais uma vez, parabéns.

  3. Gravatar

    Tia, ficou ótima a poesia!
    Parabéns, beijão.

  4. Gravatar

    É nisso que dá tanta leitura!
    Sabedoria inigualável, é incrivel como encontras sentido para palavras sem sentidos, e o dom de juntar palavras para fazer-las mais bonitas ainda, e como se vc estivesse maquiando as palavras.
    Ficou muito linda sua poesia, o que não me assusta!
    Muito orgulho por vc!
    Parabéns

  5. Gravatar

    Tiaaaaa, mais uma vez arrazou hein!!!

    Sua sutileza em colocar as palavras, deixam suas poesias leves e gostosas de se ler.

    um beijo grande e congratulações.

    Gi

  6. Gravatar

    Gostei do poema, é uma denúncia séria. Detesto o que fizeram e fazem com os índios. Um abraço.

  7. Gravatar

    Mattoso, não conhecia esse seu lado de poeta. Você me surpreende.

  8. Gravatar

    Tanta beleza no lamento… tanta revolta na beleza…
    Assim essas linhas crescem dentro de mim e flagro-me com os olhos marejados.
    Parabéns poeta!

  9. Gravatar

    ESSA INDIA ESTÁ ERRADA VC FEZ UMA MISTURA ABSURDA DE CARACTERÍSTICAS DE INDIOS AMERICANOS COM BRASILEIROS E CRIOU UM FRANK E AINDA COLOCOU O NOME DE KARAJA NA PESQUISA. UM DESRESPEITO AOS INDIOS. SEU DISCURSO PROSAICO QUE SE DIZ POÉTICO MATA MAIS QUE BUCHO DE FILHA, OUTRA DO DJAVAM. FALTA PESQUISA ICONOGRÁFICA. PENA É QUE COISAS ASSIM DILUEM O RESTO DE CADA POVO QUE NOS RESTA. SE VC FOR UMA PESSOA SENSÍVEL E SÉRIA QUANTO SE DIZ, PODERIA DELETAR ESSA FIGURA DAI E COLOCAR UMA FOTO QUALQUER. ISSO AGREDIRIA MENOS

Nós que aqui estamos, por vós esperamos!