As vinte e cinco noites de Sharon

Maria Mattoso
Na primeira noite, Sharon saiu do casulo, espreguiçou-se, partiu em direção ao infinito e depois esteve numa festa, na qual estavam presentes todos os seres das trevas.
Na segunda noite, calçou suas botas de montaria e cavalgou pelo universo na cauda de um cometa incandescente. Tomou chá com bolinhos de gergelim na casa da lua e das estrelas.
Na terceira noite Saharon entrou numa discoteca e dançou rock com o Gato-de-Botas.
Na quarta noite, brincou com os Anjos e descobriu que eles têm sexo.
Na quinta noite voou até a Terra do Nunca nos braços de Peter Pan.
Na sexta noite a Deusa Ártemis convidou-a para uma caçada e beijou-lhe delicadamente os lábios.
Na sétima noite Sharon brincou de roda com Chapeuzinho Vermelho.
Na oitava noite jantou com os gnomos e os duendes da floresta encantada.
Na nona noite, bebeu vinho nos braços do Deus Dionísio e ficou inteiramente embriagada.
Na décima noite, subiu pelas malhas prateadas de uma teia de aranha e dançou com as fadas e os elfos.
Na décima primeira noite jantou com o Conde Drácula. Comeu caviar e bebeu vodka polonesa.
Na décima segunda noite, Sharon montada num cavalo branco, segurando uma bandeira vermelha, liderou a revolução.
Na décima terceira noite assistiu a decapitação do Rei.
Na décima quarta noite vestida numa armadura de prata cavalgou ao lado do Deus Odin.
Na décima quinta noite, o Deus Pan a possuiu de mil maneiras diferentes e em seguida alimentou-a com néctar e ambrósia.
Na décima sexta noite, Sharon enfrentou bravamente o Tribunal da “Santa” Inquisição.
Na décima sétima noite foi amada pelo Deus Apolo que se mostrou a Sharon em toda sua glória e esplendor.
Na décima oitava noite assistiu a decapitação do Rei.
Na décima nona noite com uma espada de ouro enfrentou todos os Demônios e os venceu.
Na vigésima noite Sharon foi julgada pela Rainha de Copas.
Na vigésima primeira noite penetrou no âmago de uma flor, chorou todas as suas mágoas e em seguida cantou.
Na vigésima segunda noite, Sharon enfrentou a Grande Mãe.
Na vigésima terceira noite, lutou violentamente com Tânatos e saiu-se vitoriosa.
Na vigésima quarta noite, Sharon desceu ao fundo do poço e enfrentou o Dragão.
Na vigésima quinta noite esteve consigo mesma e dormiu.
7 Comentários
Nós que aqui estamos, por vós esperamos



É tudo uma questão de sair do casulo… estar presa à algo ou alguém é no mínimo desconfortável e extremamente desgastante. O medo é o que nos aprisiona! Sharon saiu do casulo e destemida perseguiu todos os universos que pairam silenciosamente na nossa mente e que no entanto produzem verdadeiros furacões na nossa alma… ardente, como quem tem a certeza do reencontro consigo mesma cantando após esvair-se em lágrimas para um merecido repouso dessa conciência emancipada.
Faz o favor de contar mais 25! Amei!
beijos
É isso aí, amiga. Adorei sharon. é preciso coragem para sair do casulo.
Querida Maria. Você escreve bem. Mas achei o texto pagão demais. Que Deus ilumine seus caminho.
Teca querida, gostei da sua opinião. Amo a sinceridade. Mas, eu gosto das coisas pagãs. Me amarro em mitologia grega. Amo Jesus Cristo, acho-o maravilhoso tudo que ele pregou e tento seguir o que Ele ensinou. Mas daí me converter são outros quinhentos. Respeito muito sua opinião. Mas estou aberta a todos os credos e tenho minhas próprias convicções. Além de tudo, não tive com o texto nenhuma intenção de propagar paganismo.
Maria,
Vejo a literatura pela literatura. Sendo assim, creio que o autor de um texto na maioria das vezes quer apenas contar uma estória e é bom que o faça sem amarras ou presilhas. Caso o contrário, limitará sua criatividade e reduzirá as possibilidades de contar uma boa estória.
Para mim, tanto faz se escrevo um texto infantil ou erótico. Na escrita, procuro não passar necessariamente os meus valores, mas sim os valores dos personagens, que, por um acaso, podem diferir dos meus.
A propósito, gostei do conto.
Um abraço,
Dimas Lins
Caro Dimas esse é exatamente o meu ponto de vista. Os valores que eu passo são os valores do personagem. Por acaso os valores de Sharom são muito parecidos com os meus. Um abraço.
Sinceramente, quem mais alteeeera o ambiente é a tal da Sharon! Carpe diem até com os deuses!!!
Adorei o texto…Sem dúvida surreal e, justamente por isso, nos faz levitar e deixa a imaginação correr solta…
A despeito da opinião acima, acho que qualquer manifestação artística é válida…A arte aquece o coração ao tentar mudar o mundo, ao tentar retratar o mundo, questionar o mundo ou, tão-somente, retratar o interior de alguém!