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Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Happy hour

Banguela (Zeca Baleiro)
 Dimas Lins
Amigos de longas datas, toda sexta-feira se encontravam no mesmo bar para beber a goles pequenos um pouco de conversa fiada. Entre um chope e outro, geralmente falavam de mulheres, futebol, trabalho, família e alguns segredos miúdos. Era daqueles compromissos sagrados, cuja falta só se justificaria por um caso fortuito, como o [...]

Bocejo

 Artur Perrusi
Olhava meus alunos. Muitos bocejavam. O bocejo é o assassino da auto-estima do professor. Gera uma série de associações incontroláveis, ao ponto de atrapalhar o raciocínio. Uma aluna, bem gatinha, para minha infelicidade, bocejava de forma esplêndida, um monumento à oscitação. Era uma série ininterrupta, cheia, plena. Tive vontade de sair correndo e procurar [...]

Clave de sol

As andorinhas – Secos e Molhados (João Ricardo/Cassiano Ricardo)
Dimas Lins
Em meio a uma chuva intensa, uma andorinha atravessa os mares agitados em busca de um pouso seguro, um púlpito para seu canto, uma clave de sol.
O seu corpo franzino, de apenas quatorze centímetros, está cansado. Sua plumagem – de cor canela-avermelhada na garganta e pigmentação fuliginosa [...]

Espera

Encerro a semana “Maria Luiza” com uma carinhosa homenagem feita por Ana Cláudia. A habilidosa jornalista e poetisa publicou em seu blog, o Ninho da’Ninha, um poema que me comoveu e, por isso, compartilho aqui com vocês.
À Cláudia, meu obrigado pelo carinho. A todos os leitores, informo que segunda-feira publicarei uma novo conto.
Até lá e [...]

Para Malu

Arte: Carolina Michaellis

 
Maison de Figueiredo
Confirmada a gravidez
Não interessava no momento
Se o tão sonhado rebento
Seria Maria Luiza ou Juarez
O fato é que dessa vez
A semente plantada brotou
E fruto de um grande amor
Aquele feto indefinido
Agora já é conhecido
Pois Maria Luiza virou

Quem vem lá

Ilustração: Suppa

Mulher barriguda – Secos e Molhados (João Ricardo/Solano Trindade)
Dimas Lins
Dias antes do carnaval, minhas atenções se voltaram para um nome de mulher: Maria Luiza. Não sei a cor de seus cabelos, não conheço seu rosto, nem reconheço sua voz. Dela eu sei quase nada, mas o pouco que sei é suficiente para amá-la incondicionalmente.
Essa mulher, [...]