Quem vem lá
Ilustração: Suppa

Mulher barriguda - Secos e Molhados (João Ricardo/Solano Trindade)
Dimas Lins
Dias antes do carnaval, minhas atenções se voltaram para um nome de mulher: Maria Luiza. Não sei a cor de seus cabelos, não conheço seu rosto, nem reconheço sua voz. Dela eu sei quase nada, mas o pouco que sei é suficiente para amá-la incondicionalmente.
Essa mulher, essa menina, esse feto que germina rapidamente no ventre da minha esposa me toma o corpo e a alma e me faz querer ser alguém melhor. Quem sabe assim não poderei ajudá-la a encontrar seus caminhos, a fazer suas escolhas e a expandir seus horizontes.
E quando toco a barriga da minha mulher é como se acariciasse seu rostinho e fizesse cócegas em seus pequenos pés até provocar o seu riso imaginário. Nessas horas, ela sorri através do meu sorriso e eu do seu.
E me sento ao lado da mulher barriguda, tão frágil e tão forte, tão menina e já tão mãe, para conversar sobre quem vem lá.
Será ela cristã ou comunista?
Ordeira ou anarquista?
Advogada ou circense?
Será carnívora ou vegetariana?
Terá uma amiga Sebastiana?
Ou um namorado parisiense?
Será pudica ou imodesta?
Será caseira ou gostará de festa?
Terá malícia ou será inocente?
Gostará do dia ou da noite?
Lutará contra a guerra e o açoite?
Olhará pra trás ou seguirá em frente?
E quando enfim bate o cansaço, mas antes que o sono venha, ansioso pela vinda da pequenina pergunto a mulher barriguda se haverá guerra ainda. Tomara que não. Mulher barriguda, tomara que não.
12 comentários


