Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira
Arquivo de 10 de abril de 2008, às 0:00h

Casa de avó

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Eis que reencontro Mariana Prado, amiga de tempos idos e agora vindos. Dela, tenho boas recordações. Da aluna exemplar, do carinho com todos e da simplicidade sempre presente.

Hoje, adulta, Mariana mantém intactas as mesmas características de outrora, dando a entender que o tempo passou para ela com serenidade.

Em meio à felicidade do reencontro, veio imediatamente à lembrança a menina-poetisa, que escrevia e escrevia e nos brindava com a beleza de seus versos.

Mariana ainda escreve, mesmo que casualmente. Por isso, tomei a liberdade de convidá-la a publicar alguns de seus versos aqui no Estradar. E começo com uma poesia feita ainda na sua adolescência que ressalta bem a simplicidade e beleza de suas palavras.

Mariana, seja bem-vinda!

Dimas Lins


Casa de avó

Mariana Prado

Casa de avó é como santuário:
Não se mexe.
A mesa de canto fica no canto,
Geladeira não se fala em trocar.

Quando a manhã chega
Traz com ela um vento frio
Que invade o quarto pela réstia de luz
Através da janela ainda fechada
E deixa no ar uma sensação
De que o dia vai ser bom, muito bom.

Casa de avó é assim:
Em nada deveria mudar.

Depois que escurece,
Antes o entardecer
Com um tom violeta,
Quanta estrela pra contar.
O zumbido das cigarras
E o silêncio que se faz
Não me traz pensamentos,
Nem bons nem ruins,
Só a plenitude de se sentir seguro.

A hora da novena é sagrada,
Mulheres e homens devotos
Num fervor de crença sem fim.
Eleva o espírito e o corpo descansa, em paz.

A porteira se abre trazendo meus pais
E a alegria transborda pelos olhos,
Que são mais que espelho da alma,
Absorvem e emanam luz.

Então ouço quando dizem - é hora de dormir.
E só consigo pensar
Que amanhã será bom, muito bom.

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