Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Casa de avó

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Eis que reencontro Mariana Prado, amiga de tempos idos e agora vindos. Dela, tenho boas recordações. Da aluna exemplar, do carinho com todos e da simplicidade sempre presente.

Hoje, adulta, Mariana mantém intactas as mesmas características de outrora, dando a entender que o tempo passou para ela com serenidade.

Em meio à felicidade do reencontro, veio imediatamente à lembrança a menina-poetisa, que escrevia e escrevia e nos brindava com a beleza de seus versos.

Mariana ainda escreve, mesmo que casualmente. Por isso, tomei a liberdade de convidá-la a publicar alguns de seus versos aqui no Estradar. E começo com uma poesia feita ainda na sua adolescência que ressalta bem a simplicidade e beleza de suas palavras.

Mariana, seja bem-vinda!

Dimas Lins


Casa de avó

Mariana Prado

Casa de avó é como santuário:
Não se mexe.
A mesa de canto fica no canto,
Geladeira não se fala em trocar.

Quando a manhã chega
Traz com ela um vento frio
Que invade o quarto pela réstia de luz
Através da janela ainda fechada
E deixa no ar uma sensação
De que o dia vai ser bom, muito bom.

Casa de avó é assim:
Em nada deveria mudar.

Depois que escurece,
Antes o entardecer
Com um tom violeta,
Quanta estrela pra contar.
O zumbido das cigarras
E o silêncio que se faz
Não me traz pensamentos,
Nem bons nem ruins,
Só a plenitude de se sentir seguro.

A hora da novena é sagrada,
Mulheres e homens devotos
Num fervor de crença sem fim.
Eleva o espírito e o corpo descansa, em paz.

A porteira se abre trazendo meus pais
E a alegria transborda pelos olhos,
Que são mais que espelho da alma,
Absorvem e emanam luz.

Então ouço quando dizem - é hora de dormir.
E só consigo pensar
Que amanhã será bom, muito bom.

2 Comentários

  1. Ana Cláudia 10 de abril de 2008, às 15:55h

    “Casa de avó é assim:
    Em nada deveria mudar.”

    É exatamente isso, Mariana. Não deve mudar. E sua descrição está perfeita, segundo a lembrança de minha infância…Parabéns!
    Dimas, o caça-talento!

  2. André Tricolor Virtual 11 de abril de 2008, às 20:21h

    Poxa, saudades de minha ‘avó mainha’, a minha ‘avó painho’ pouco vivi, somos distantes, não pelos ‘kms’, mais sim pelo coração, infelizmente não existe afinidade, em meu caso, na casa dessa minha ‘vó’ distante, algo deveria mudar, tanto por minha parte, como principalmente pela dela!

    Parabéns “Mariana” e seja sempre bem vinda !!!!

    “Ana Cláudia”, (rsrsrsrsrsrsrs), “Dimas” é mesmo um ‘caça-talento’, e assim como ele se encontrou na LITERATURA, o mesmo encontra sentimento nas palavras dos amigos !!!!

    Abraços a Todos !!!!

    PS: Desculpa “Dimas” algum mal-entendido causado por mim sobre os ‘textos’, apenas acho legal um ‘feedback’ !!!

Nós que aqui estamos, por vós esperamos