Trapézio
Josias, meu dileto amigo Geó, já esteve antes no Estradar. Entretanto, nas ocasiões anteriores ele apareceu como inspiração para as crônicas Conversando na mesa do bar e Vocação.
Agora ele volta. Mas volta como de fato é: um poeta de grande sensibilidade e valor. E, talvez por isso, eu economize as minhas palavras, para rapidamente dar vez às suas.
A Geó, o abraço de sempre.
Dimas
Solto no incerto,
salta.
Mãos no vazio,
nada por chão.
Antes do encontro esperado
e redentor,
um salto mortal.
Seria ilusão de vista
o ato do trapezista?
Voa,
ausente de tato.
Perfaz um arco descendente,
cai -
descuidado qual estrela cadente?
Seguem segundos,
surdos.
Frêmitos mudos.
A vida jogada ao acaso,
sustida pelo hábito.
Tocam-se mão e madeira: aplausos.
Segue o show, muda-se o palco.
Na platéia, eu, com a alma contida,
Percebi no espetáculo minha vida.
Josias de Paula Jr. é sociólogo e escreve para o Inscritos em Pedra, seu blog pessoal.
1 Comentário
Nós que aqui estamos, por vós esperamos




É um grande poeta, nosso rapaz! Taciturno e olho de ciclope, é um grande!