Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira
Arquivo de 26 de maio de 2008, às 0:00h

Mar adentro

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É doce morrer no mar (Dorival Caymmi)

Dimas Lins

Lançar-me-ei ao mar. Arremessarei meu corpo do penhasco mais alto que houver e, ao cortar o vento, descreverei um pequeno arco até colidir com o oceano.

Ao tocar em suas águas, não pedirei clemência nem lutarei por mim. Ao contrário, provocarei a sua impaciência movendo freneticamente braços e pernas deixando que ondas furiosas me empurrem para baixo.

Submerso, meu corpo franzino permitirá ao mar beber-me em pequenos goles. Não resistirei. Deixar-me-ei sorver lentamente e de suas águas beberei também. Gritarei com furor para que, por minha boca, passe todo o sal. Inundarei meus pulmões e asfixiarei a saudade de um amor tragado pelo oceano.

E se de mim o mar for piedoso e tentar me levar de volta à superfície, agarrar-me-ei aos corais até que o fim aconteça.

Só assim meu corpo flutuará sem vida e eu estarei em paz.

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