Arquivo de 9 de maio de 2008, às 17:26h
Mulheres na arte
Amigos,
Sem tempo livre para escrever um novo texto, deixo para vocês esse belíssimo vídeo que considero uma exposição de arte virtual. É um olhar sobre o universo feminino. Espero que gostem.
Enquanto isso, do tempo que me for dado para vadiar, tentarei aproveitá-lo para escrever novos enredos.
Aproveito a oportunidade para informar com satisfação que o Estradar ultrapassou a casa dos 9.500 acessos no mês de abril e que os números de maio mostram uma tendência ainda mais interessante.
A todos, obrigado pela companhia.
Dimas
1 comentárioPonto final

Palavras do coração - Bruna Caram (Otávio Toledo/J.C. Costa Neto)
Dimas Lins
- Prefiro riscar a minha vida de uma vez, num fogo só - disse Diana.
E continuou.
- Escolho ser o brilho instantâneo de um fósforo queimando veloz, mas com a intensidade de um vulcão, do que o fogo baixo de um candeeiro, que demora uma eternidade para se apagar, mas não espalha uma luz vigorosa.
Ainda que soassem assim, em suas palavras não havia retórica. Elas continham a decisão de que era preciso viver a vida de outra maneira. Diana rejeitava agora insistir na construção de um casamento convencional, pois considerava que a rotina era como um veneno que se toma a conta-gotas.
Concordei. E não senti em suas palavras nenhum indício do fim de nós dois. Ao contrário, percebi que ela propunha a oportunidade de um recomeço, pois compreendia que não era eu que estava sendo rejeitado, mas a rotina. Diana apenas me oferecia a chance de afrouxar as rédeas da vida ao invés de mantê-las sob mãos firmes.
Ela apenas não queria ser escrava do trabalho nem do dinheiro e tampouco queria compromisso com os ponteiros do relógio. Desejava botar os pés na estrada e viver loucamente a aventura de sua vida.
Ela fez uma pausa e fixou os olhos nalgum ponto acima e à direita, como se buscasse algo.
- Quero viver uma vida bem-aventurada. Quero ser um viajante sem nacionalidade atravessando países sem fronteiras e, mesmo assim, me sentir no quintal da minha própria casa.
Diana gostava da idéia de levar a vida de um fôlego só, como se lesse os períodos longos de um texto de José Saramago. A questão era simples e estava posta: se a vida é curta, que seja intensa então.
Tentei manter a visão aberta e o coração atento, mas senti vertigens. Tive vontade de abrir um livro de Saramago e lê-lo sob outra perspectiva, trazendo-o para o mundo proposto por Diana. Como as circunstâncias não permitiam, percorri imaginariamente os períodos longos de um de seus romances. A intensidade das palavras me deu a impressão de que a vida vivida assim parecia ter apenas começo e meio. Além do mais, a espera ansiosa pelo ponto final me dava a sensação de que talvez o fim me espreitasse, soturno, numa esquina qualquer.
Embora a idéia, a princípio, passasse uma incomensurável sensação de liberdade, não me fascinava. Sou pragmático e imaginei a dureza de batalhar o pão de cada dia, a cada novo dia. Sou homem e, por ancestralidade, provedor. Tenho medo de viver sem provisões e de não prover. E mais. Achei que riscar a vida de uma vez se assemelharia também a tomar um frasco de veneno, mas de um gole só.
Não, decididamente não! Contaria com a necessidade quase visceral de colocar uma vírgula aqui e outra acolá, para dar um tempo de prestar atenção nas coisas. Preciso da vírgula, do ponto e vírgula e de todas as pausas.
Percebi então que não tinha medo do fim irremediável, da vida que cessa. Tinha medo das coisas irrecuperáveis e de não vê-las passar por mim. Tinha medo da ansiedade invevitável em esperar o ponto final.
Ela compreendeu a minha oração, mas achou que não se subordinava à sua e pôs um fim em nós dois.
Nota do autor1:
O Estradar passou por uma atualização forçada na versão do Wordpress, gerenciador de conteúdo do blog. Houve uma modificação substancial na forma de gerenciamento, embora isso não seja perceptível para o leitor.
Infelizmente, uma dessas modificações prejudicou a estética do blog, desalinhando o player do áudio. Neste texto específico, contornei a situação de forma tosca e provisória, mas o problema persiste. Dentro das minhas limitações, tentarei encontrar uma solução definitiva, para que o blog volte a ter uma estética a contento.
Por tudo, agradeço a compreensão de vocês.
3 comentáriosNota do autor2:
Com a intervenção valiosa do amigo e webdesigner Anizio Silva, conseguimos reestabelecer a estética musical do Estradar.
A Anizio, nosso muito obrigado.
Entre a realidade e a ficção

Esta semana fiquei sem internet. Aliás, ainda estou. Por isso, tornou-se impraticável colocar novos textos no ar. Neste fim de semana, tentarei solucionar o problema e espero que na segunda-feira tudo volte ao normal.
Enquanto isso, aproveito uma brecha no trabalho, para publicar este texto na área principal do blog. Ele já havia sido disponibilizado na página Sobre Categorias, aquela ali no canto superior direito.
Tomei esta decisão, porque percebi que ainda há confusão entre alguns leitores quanto aos textos que escrevo em primeira pessoa. Muita gente tem a impressão que estas narrativas discorrem sobre experiências pessoais, o que na esmagadora maioria das vezes não é verdade. Tenho apenas a predileção em narrar histórias ou estórias, como queiram, do ponto de vista do personagem principal. Nada mais.
Assim, criei uma forma de possibilitar que os leitores percebam a diferença de um texto ficcional de outro baseado em fatos reais. Espero que a leitura seja útil.
Um grande abraço e até segunda, se minha internet voltar, é claro.
Dimas
Dimas Lins
Tempos atrás, percebi que alguns leitores confundiam minhas construções imaginárias com melancolias reais. Apesar de rabiscar sobre uma variedade de temas, minhas crônicas que tratavam de assuntos como tristeza ou separação chamaram a atenção de alguns dos nossos companheiros de estrada que passaram a não entender onde terminava o escritor e começava a pessoa do autor. Na ocasião, achei por bem explicar que a maioria das crônicas não tinha relação com o meu mundo real, apenas tratava-se de estilo literário ou a falta dele. Aproveito agora para esclarecer tudo isso em caráter permanente.
Classifiquei os textos em categorias - a indicação estará logo abaixo do título da crônica - para facilitar a compreensão do leitor. Ficará fácil para os visitantes do blog saberem se, numa crônica, estou falando de mim ou de situações afastadas do meu mundo pessoal. Quem sabe assim, as confusões se desfazem. Abaixo segue a classificação das crônicas por categoria:
- À flor da pele - Construção imaginária do autor que movimenta a energia que está na base das transformações da pulsão sexual; palavras que mexem com a imaginação e a libido. Juro que não aconteceram comigo.
- Bobagens e meninices - Construção imaginária do autor que pisa com os pés descalços no universo infantil.
- Chegança - Apresentação de novos blogs e sites relacionados ao mundo literário.
- Coisas da internet - Construção imaginária do autor ou baseada em situações reais provocada pela infinita estrada virtual ou por amigos blogueiros.
- Cotidiano - Construção baseada em situações reais em que possam se misturar meias verdades e mentiras sinceras. Crônicas e contos inspiradas em pessoas ou situações da vida real, onde nem tudo que se lê é necessariamente o que aconteceu. Palavras sobre o peso ou a leveza do nosso dia-a-dia.
- Divina comédia humana - Construção imaginária do autor com o propósito - nem sempre bem-sucedido - de divertir pelo tratamento cômico das situações, dos costumes ou dos personagens.
- Memórias - Construção baseada em fatos reais ou num estado de consciência passado que remete às situações acontecidas com o autor, pessoas de seu convívio ou ainda fatos que, mesmo de longe, marcaram sua vida; reminiscências.
- Meus caros amigos - Construção de outros autores. São textos, artigos, crônicas, contos e poemas de amigos, convidados ou colaboradores contumazes.
- Nau minha - Construção baseada em situações reais ou pensamentos pessoais que navegam pela mente tortuosa do autor. Tempo impreciso, mas de significado certeiro.
- Tiquinho de nós - Construção imaginária do autor de tipos esquisitos ou histórias sem pé nem cabeça, mas que no fundo fala um bocadinho de cada um de nós. São crônicas que cuidam mesmo da parte mais profunda e entranhada do ser.
- Tristeza não tem fim - Construção imaginária onde o autor derrama tristezas profundas e alegrias contidas de sua alma melancólica. Dramas e tragédias impessoais que no fundo são palavras para sentir o ser.


