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Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Estradar

Josias de Paula Jr.

Não me aventuro a discorrer sobre o blogue. Não! Não me acho qualificado a conceituar literatura. Proponho-me apenas arrolar alguns furtivos arrebatamentos produzidos por ele em mim e naqueles que, por alguma graça insondável, são de se comover com palavras.

Contar histórias talvez seja a mais imperiosa das necessidades humanas. E a mais desumana das condições, a solidão - unicamente sustentada por um deus ou uma besta irascível - nada mais é do que isso: a impossibilidade de compartilhar histórias. Todos contam, todos narram. Mas há aqueles que o fazem por necessidade mais profunda, pelo premente dever de subtrair ao infinito baú da linguagem os relatos latentes, daquela espécie que todos nós, de certo modo, pré-sentimos. São relatos, no fundo, guardados em cada um de nós, adormecidos no sono vago dos tempos.

A leitura deles suscita em nós o re-conhecimento, a certeza de que nossas aspirações, desejos, medos e sonhos, extrapolam nossos egos pequeninos, são uma senda de comunicação com o(s) outro(s). Isto é, são um exercício de encontro e um safanão na solidão.

Sempre estamos à procura dos caminhos que levem ao contato com o humano, com sua graça, festa, vida e morte. E é sempre por palavras que chegamos a ele. Pois é disso que falo aqui: do ofício genuíno de abrir veredas em tórrido sertão, de abrir picadas na floresta negra. Enfim, do ofício de estradar!

Deixo, por fim, um esboço maltrapilho de um poema retirado de uma das dimensões de uma crônica do Estradar: Maria das Dores de amar.

Maria das dores de Amar

No dia das núpcias o fatídico golpe:

ao invés da festa e do sacramento em ato,

a dor das minúcias da abrupta morte.

 

À Maria o que era dado pensar

ante ao fato do sonho em vida interdito,

além da eterna espera em suposto altar?

Josias de Paula Jr., sociólogo e poeta, escreve - ao menos costumava escrever - com regularidade em seu blog Inscritos em Pedra. Diante do repouso do Inscritos, todos nós gritamos em seu ouvido: “acorda, poeta, acorda!”.

1 Comentário para “Estradar”

  1. Gravatar

    Muito bom o texto “Josias” ,

    Contar a própria história, falar dos anceios das pessoas, fazer parte de seus sonhos, acreditar nas palavras que traduzem a vida !!!!

    Abraços !!!

Nós que aqui estamos, por vós esperamos!