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Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Discurso

Ilustração: Luigi Rocco

Ana Cláudia

- “Dápacatáqué farso”.

- Hein?

- Foi bom, mas dápacatáqué farso.

- Que palavra é essa?

- Farso?

- Não, essa que começa com “dápa”

- Dápa?

- Sim, isso que você falou agorinha sobre o discurso.

- Ah, que dápacatáqué farso?

- Sim, o que é isso?

- Dá ‘pa’ catá que é falso.

- Ah, dá pra sacar que o discurso é falso, é isso que você quis dizer?

- É. Cê entendeu o quê?

- Sei lá, nada. Não entendi necas de pitibiriba.

- Não entendeu o quê?

- Nada.

- Não, conta. O que é que você falou?

- Necas de pitibiriba? Quer dizer nada. Quer dizer que não entendi nada.

- Nó´ssora. Cês lá do norte têm uma fala engraçada. Não entendo nada, uai.

-Vixe, e tu quando fala avexado? Até parece que dá pra entender alguma coisa.

- Depois a gente discute. Vamo pres´tenção que o farso tá falano inda.

Ana Cláudia é jornalista e escreve regularmente em seu blog Ninho da Ninha.

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