Sonho
- on 12 de fevereiro de 2009, às 18:11h
- Tristeza não tem fim
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Romaria – Quarteto Romançal
Parecia leve, como leve parece uma pena. Tão leve que podia flutuar pelo quarto. Peço, é claro, que não levem ao rigor das palavras aquilo que agora digo, pois bem sei que não posso voar. Por isso, a única explicação que convém a este sobrevôo vão e incoerente, ao qual meu espírito se entrega, é a de que sonho.
Flutuo pela casa vazia. Vejo que cada coisa permanece em seu devido lugar. Nos meus sonhos, não costuma haver tantas minúcias, nem sou eu um observador atento. Em outros sonhos – se querem saber – não perceberia que na mesinha de cabeceira, por exemplo, identificaria com tamanha nitidez a fonte e a cor do título do livro que todas as noites leio antes de dormir, como se elas saltassem tridimensionalmente diante dos meus olhos.
Ainda no quarto, o relógio informa que nos aproximamos das seis e meia da manhã. Minha cama está vazia e a minha vida aparentemente está desperta. Quem sabe sonho acordado. No meu mundo paralelo a este mundo paralelo, estaria eu caminhando na praça a esta altura do dia buscando me ocupar de hábitos saudáveis.
Avanço pelos cômodos. No escritório, vejo algumas anotações e contas a pagar sobre a mesa. Mesmo distante, sou capaz de ler cada número do código de barras do boleto bancário. Na sala, num móvel ao lado do televisor, dentro de um pequeno recipiente, já não está mais depositada a chave da casa. Como estou sonhando, abro a porta mesmo assim – não há explicação lógica para isso, pois a lógica não vive no mundo dos sonhos – e ganho a rua.
Já que é tão cedo, sigo em direção à praça para ver se me encontro por lá. Seria curioso conversar comigo e saber o que penso sobre mim. Não sei o que diria, nem o que, provocado, responderia. Talvez conclua que eu não passe de um estranho.
Nem bem alcanço a praça, vejo um pequeno ajuntamento na avenida. Algumas pessoas cercam o local e percebo que ali ocorrera um acidente de trânsito. Um carro avançara o sinal e atropelara alguém na faixa de pedestres. Não sei como conheço os detalhes, pois o certo é que a ninguém perguntei. Claro, é meu sonho e, sendo assim, certamente a minha mente produziu tudo o que vejo e sei.
Ao celular, uma mulher desesperada pede por uma ambulância. No chão, um corpo estendido. O homem caído calça tênis e meias brancas. Também veste um calção azul, que desce da cintura até os joelhos. Não é fácil distinguir a cor de sua camisa que se mistura às manchas de sangue. Seu braço esquerdo faz uma dobra incomum e há hematomas em seu tórax e em todo o rosto. Olho atentamente e percebo que visto a mesma roupa que o homem no chão. Ainda assim, demoro a reconhecer-me. Se for mesmo um sonho, certamente o homem deitado no asfalto vive a minha verdadeira vida, enquanto eu vivo a coisa imaginada, sem existência real no mundo dos sentidos.
O ar aos poucos se torna denso e a minha leveza já é insustentável. Vou reto ao chão e caio em mim. Sinto uma dor imensa e não sei se a causa vem do choque entre meu corpo no ar e meu corpo no chão ou se é efeito do meu encontro com um automóvel na faixa de pedestres.
Não tenho mais ouvidos de ouvir. Vejo bocas abrindo e fechando, mas não as ouço. Estou imóvel e meu corpo já não dói. Descargas elétricas despejam-se em meu peito, mas já é tarde. Agora durmo. Um lençol me protege do frio que já não sinto mais.


às vezes vivemos dos nossos miseráveis sonhos, muitas vezes que nos leva a um caminho não muito feliz … Agora sonhar e entrar no escritório e ver ‘contas a pagar’, é meu maior ‘pesadelo’ !!! Para vc não correr o risco de ser atropelado enquanto dorme é melhor deixar a porta da casa bem fechadinha com cadeado e um alarme só para não ter surpresas maiores!
Abraços!
Caraca, eu sonho que salto bem alto e fico flutuando. E o interessante que nunca tinha tido um contato, se quer, com alguém que voa, ou que salta, sei lá. Tenho muito interesse no assunto. Por favor gostaria de troicar idéias a respeito. meu e-mail já informei.
Um abraço;
Duda