Seqüestro
- on 1 de fevereiro de 2010, às 17:04h
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Era madrugada, quando fui arrancado de casa e arrastado para dentro de um carro. Fiquei impressionado com o senso de organização da seqüestradora, pois ela teve o tempo e o cuidado de arrumar a minha mala antes de sair. Cuecas, meias, calças, camisas e sapatos, cada coisa em seu lugar. Preparei-me para o pior, pois havia indícios que não se tratava de apenas um seqüestro-relâmpago. Na fuga, ela roubou um taxi e me obrigou a pagar a corrida. Ao menos fiquei com o troco.
A seqüestradora me levou para o aeroporto. Sem poder dizer nada, pois certamente havia a ameaça de uma arma, segui para o check-in. Tentei dizer, com os olhos, para a atendente que estava ali contra a minha vontade. Foi em vão. Ela pediu a minha identidade e despachou a minha bagagem.
Segui para o portão de embarque e mantive a esperança que a arma da seqüestradora fosse descoberta pelo detector de metais. Nada. Concluí que tinha mais gente envolvida.
Já dentro do avião, acionei o botão para chamar a aeromoça e novamente tentei falar com o olhar, mas percebi que toda essa gente que trabalha em aviação, na terra ou no ar, não entende absolutamente nada de linguagem corporal. Sem saída, pedi água. Só aí notei que ela também estava envolvida, já que caí em sono profundo assim que refresquei a garganta.
Fui acordado enquanto roncava. A seqüestradora prudentemente não queria chamar atenção. Assim, ainda com sono, cheguei ao meu destino. Pelo sotaque estranho e pela placa “bem-vindo a Porto Alegre”, deduzi que estava no sul. Pegamos outro carro. Dessa vez, não havia taxímetro, mas tive que deixar uma caução no saguão do aeroporto. Fomos em direção à serra.
Entre árvores, enfim, cheguei ao cativeiro. Um homem uniformizado nos recebeu à porta e nos conduziu a um balcão. Preenchi um formulário e recebi uma chave. Dadas as circunstâncias, as acomodações não eram ruins. Havia cama, TV, frigobar e até mesmo um telefone, embora seguramente as ligações fossem monitoradas.
Fui obrigado a comprar roupas e bijuterias para a seqüestradora e a comer estranhos alimentos, como avestruz ao molho de amora e linguine al pesto e joelho de porco. Não tinha direito à água. Forçado, tomava vinho e cerveja. Era mais fácil me controlar, se ela me mantivesse alcoolizado. Após quinze dias no cativeiro, fui liberado assim que paguei o resgate. Parcelei em três vezes sem juros no cartão de crédito.
Mas o que importa mesmo é que estou vivo. E de volta a Recife.
Por isso, pé na estrada. Ou melhor, no Estradar.
Nota do autor:
Este pequeno texto é para informar que estive de férias. Aliás, ainda estou, mas já estou de volta a terrinha. Infelizmente, antes de partir – e mesmo depois de viajar – não foi possível sequer deixei uma notinha no Estradar.
Tem nada não. Aos poucos a gente vai retomando a escrita.
Abraços,
Dimas




Isto é o que chamo de uma maravilhosa forma de noticiar umas férias. Que bom, Dimas!
Também estive de férias. Já estou de volta, ou melhor, voltando…demoro chegar…
Abraço.
Magna
Dimas, estou de volta também.
A pena do cronista continua afiada.
Abraços do Jonas