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Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Primeira morte

 Artur Perrusi

(crônica publicada originalmente no Blog dos Perrusi)

Bateram forte na porta. Acordei sobressaltado. Eram três da matina. Horário cruel e premonitório; afinal, num hospital psiquiátrico, depois da meia-noite, tudo pode acontecer, toda desgraça é possível.

- O que seria? - Pensei.

Um enfarte? Um edema agudo do pulmão? Um parto? Um internamento complicado? Morria de medo [...]

Bocejo

 Artur Perrusi

Olhava meus alunos. Muitos bocejavam. O bocejo é o assassino da auto-estima do professor. Gera uma série de associações incontroláveis, ao ponto de atrapalhar o raciocínio. Uma aluna, bem gatinha, para minha infelicidade, bocejava de forma esplêndida, um monumento à oscitação. Era uma série ininterrupta, cheia, plena. Tive vontade de sair correndo e procurar [...]

Espera

Encerro a semana “Maria Luiza” com uma carinhosa homenagem feita por Ana Cláudia. A habilidosa jornalista e poetisa publicou em seu blog, o Ninho da’Ninha, um poema que me comoveu e, por isso, compartilho aqui com vocês.
À Cláudia, meu obrigado pelo carinho. A todos os leitores, informo que segunda-feira publicarei uma novo conto.
Até lá e [...]

Para Malu

Arte: Carolina Michaellis

 

Maison de Figueiredo

Confirmada a gravidez

Não interessava no momento

Se o tão sonhado rebento

Seria Maria Luiza ou Juarez

O fato é que dessa vez

A semente plantada brotou

E fruto de um grande amor

Aquele feto indefinido

Agora já é conhecido

Pois Maria Luiza virou

As vinte e cinco noites de Sharon

 Maria Mattoso

Na primeira noite, Sharon saiu do casulo, espreguiçou-se, partiu em direção ao infinito e depois esteve numa festa, na qual estavam presentes todos os seres das trevas.

Na segunda noite, calçou suas botas de montaria e cavalgou pelo universo na cauda de um cometa incandescente. Tomou chá com bolinhos de gergelim na casa da lua [...]

Pauline - final

Pintura: Miles DAvignon


Geni e o Zepelim (Chico Buarque)
Gadiel Perrusi
IV
Ninguém soube mais de nada. Pauline vendeu o barraco que já estava anunciado, aliás, com uma tabuleta pregada na porta. Com o dinheiro apurado, fez um enterro muito bonito para Floriano. Ela própria vestiu e preparou o defunto porque gostava muito dele, apesar da doença. Por [...]