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Estradar

Estrada por onde passam músicas, contos e crônicas de uma gente brasileira

Onde há fumaça, há fogo 2

Efeito e montagem: Dimas Lins

Sombrinha na mão, fazia eu o passo nas ladeiras de Olinda, seguindo e perseguindo um bloco de frevo aqui e outro de maracatu acolá, quando fui sacado abruptamente da multidão. Puxado pelos cabelos, fui conduzido à força até a calçada. Não pude deixar de pensar naquelas mulheres da pré-história assim levadas, [...]

Sonho

Romaria – Quarteto Romançal
Parecia leve, como leve parece uma pena. Tão leve que podia flutuar pelo quarto. Peço, é claro, que não levem ao rigor das palavras aquilo que agora digo, pois bem sei que não posso voar. Por isso, a única explicação que convém a este sobrevôo vão e incoerente, ao qual meu espírito [...]

Exílio

Arte: Navajo Spirit, de Kathie McCollough

Minha mãezinha (Ângela Rô Rô)
O carro ultrapassou o portão principal quase silenciosamente e parou em frente ao casarão. Até mesmo o ruído do motor parecia compreender que o momento era solene e definitivo. No interior do automóvel, três corpos estáticos tomavam assento no banco de couro. Lá fora, um vento [...]

Terminal

Pintura: Diego Mato Toledo

Esperando por mim – Legião Urbana (Renato Russo)
É quase noite. Um céu magnífico e avermelhado do crepúsculo descansa sobre o meu telhado. Alguém esqueceu a janela aberta e, de fora da casa, vem um sereno que corta meu corpo como uma serra elétrica. Não reclamo, mas só porque não tenho mais forças [...]

Mar adentro

É doce morrer no mar (Dorival Caymmi)

Dimas Lins
Lançar-me-ei ao mar. Arremessarei meu corpo do penhasco mais alto que houver e, ao cortar o vento, descreverei um pequeno arco até colidir com o oceano.
Ao tocar em suas águas, não pedirei clemência nem lutarei por mim. Ao contrário, provocarei a sua impaciência movendo freneticamente braços e pernas [...]

Adeus, meu pai, adeus!

Cabeça de homem velho: Cândido Portinari

Romaria (Quarteto Romançal)
Dimas Lins
Trim! Trim! Trim!
Acordei bastante sonolento e tateei por sobre a mesinha de cabeceira até achar o despertador. Num só golpe, desliguei o alarme e o empurrei para dentro da gaveta do criado-mudo. E como se nada tivesse acontecido, voltei a dormir.
Naquele momento, ignorei solenemente a promessa que [...]